quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Assim assim

Entre portas e avenidas
eis que surge:
me carrega toda,
assim assim;
me enlaça logo,
tintin por tintin;
me ilumina fogo,
quentin quentin;
me abraça louco,
assim enfim.
Depois fica oco,
me entrega um pouco
e some de mim.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

...




































mas eu não falo muito mesmo.
sou aquele tipo de pessoa meiocaladameioavoadameiodistantemeioassim...
...que está ansiosamentefeliz sem perceber.
mas meu silêncio fala bastante coisa por mim, escuta:

domingo, 25 de setembro de 2005

Olhos de lebre com outros de coruja...

Com olhares distraídos
rumo a outros perdidos
jamais quis outros olhares...
- naquela noite -
...que não fossem os seus.

Tanto quis que você,
inseguros dos olhares seus,
quase não viu os meus seus olhares.

Leva-me para onde quiser...
- pensei depois do -
breve desentendimento de olhares seus meus perdidos em outros quaisquer.

E foi assim que,
olhos nos olhos,
fomos um pro outro
nossos, enfim.

terça-feira, 13 de setembro de 2005

metrópole

O chão cheio de mágoas
e duas mãos pesando sobre o inferno.
O não refletido naqueles olhos tristes
e um cheiro de fome insuportável rondando,
dando impressão de miséria.
Mas não é miséria, é pior.

terça-feira, 16 de agosto de 2005

Déjà Vu

De todas as vontades,
a primeira.
Inutilmente combatida,
sustentada por fios de esperança.

De todos os riscos,
o maior.
Deter-me em pensamentos para,
talvez,
alcançar um passado.

Acontece que,
toda vez que me distraio de mim
me aproximo de você.

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

"Pro dia nascer feliz"

escrito em 8/7, após uma tarde inteira no forte de Paraty, deitada em cima da pedra olhando para o mar lá embaixo...
A fim de ser feliz.
Encostar na pedra áspera e senti-la pontilhando as costas, os braços, a cabeça deitada. Os olhos a imaginar prazeres nas nuvens já não tão presentes. Poder apreciar o céu nublado se transformando em azul-mar, quando os primeiros raios de sol rasgam o branco-cinza-algodão doce. E os mesmos raios de sol a refletirem no mar e em meus olhos, que sensivelmente se fecham.
Agora, o escuro. Guardo na memória a natureza que vi e as imagens que tenho em mente se confundem com a lembrança recente. O inconsciente (ou consciente?) me aproxima de pessoas ausentes e minha realidade nada mais é do que invenção.
Mesmo assim ainda escuto barulho de grama pisada do meu lado, mergulho de criança no mar, cochicho dos apaixonados beijando-se.
Vai e vem das ondas, encontro com a beirada da pedra, choque. Vai. Vem. Vai e é gostosa a ansiedade de tentar adivinhar quando volta. É...agora! não... nunca consigo pressentir o momento exato da volta das ondas. Fico na expectativa, sem respirar, reparando minuciosamente no barulhinho da espuma do mar, esperando que se choque na pedra e recomece o ciclo. E de repente...choque! ah...faz-me rir o susto que levo ao escutar o encontro tão esperado, que vai e vem, e se repete eternamente. E eternamente é impossível adivinhar quando vem e quando vai. Faz-me rir...
A formiga a contornar-me o corpo deitado, o mosquito zumbindo ao lado, os pés descalços escorregando no chão molhado, o vento sussurrando assobios, o sol aquecendo aos poucos, o frio constante mas também ausente e o barulhinho do esperado
vai...e vem...
Vai...e vem....
No meio dos intermináveis barulhos de fazer sono gostoso, penso que o mundo é quase perfeito - “agora só falta você...”.
Tiro fotos bonitas para mostrar aos outros o que ainda há para se mostrar de belo, e depois para colar na parede do quarto a fim de me acalmar quando leio os desastres do dia nos jornais. Uma calma que reconforta – ainda existe beleza no mundo! – e inconforma – são poucos os que vêem essa beleza... – ao mesmo tempo.
Abro os olhos apenas porque não estou morta, porque por mim viveria ali deitada na pedra, os olhos fechados a escutar natureza e os pensamentos a inventar utopias.
Eu não sei o que faço aqui, mas parece que hoje o dia nasceu para me ver sorrir - quisera eu que nascesse para ver sorrisos nos rostos todos.

segunda-feira, 25 de julho de 2005

O carteiro e a poeta

À tudo que você é, pensa que é ou me diz que é.
Aos nossos encontros raros e filosóficos.
Aos nossos encontros quando não eram raros...
Aos nossos desentendimentos.
Ao nosso atual entendimento, que me faz tão bem.
À tudo que não faz sentido.
Ao pouco convívio, que me faz bem tanto quanto mal.
À sua ausência e à sua essência
.
Às suas loucuras cativantes.
Às minhas loucuras também, como essa dedicatória.
À você, Daniel.
Acordou com a sensação de não ter dormido, levantou com a idéia de mudar e no fim fez tudo que sempre fazia. Rotina. Às vezes pensava em largar tudo e viajar pelo mundo a procura de uma explicação para a sua existência. Depois pensava que viajar pelo mundo talvez não fosse a solução. Então pensava em morrer. E, conforme a rotina, afastava o pensamento da cabeça para tentar enxergar as moléculas de água desenhadas na lousa do cursinho.
Seus dias eram todos iguais. Estava cansado, é fato. Cansado de viver sem sentido, buscando uma explicação para o que é por si só uma incógnita: a vida. A sua, por sinal, fora desde sempre repleta de obrigações e responsabilidades das quais cumpria sem saber o motivo, ou então não cumpria por saber o motivo e não concordar. Era o menino dos contrários.
Nesse dia chegou a questionar-se qual o sentido de fazer uma faculdade, se a partir disso já se tem toda a vida pré-determinada. O que ele queria era o diferente, o não padrão, o estranho, o novo. Queria romper com as regras e sair por aí gritando suas vontades. Queria se rebelar contra as instituições e descobrir o mundo com seus próprios pés, sem que ninguém lhe desse ordens. Queria saltar de uma ponte e cair no mar, pular de pára-quedas no meio da selva, transformar uma idéia em revolução, um passo em uma estrada inteira, um gesto em mil abraços...
Quando sonhar já não agüentava e olhar a lousa já não sustentava, foi salvo pelo sinal de saída. O resto da tarde passou por aí, vagando pelo inconsciente e tentando achar a concentração que não vinha. Pegou um ônibus, desceu em uma praça, tomou um sorvete e nada. De que adiantava tudo aquilo? A razão para suas ações parecia não existir, então pensou que talvez também não existisse: fosse apenas ilusão dos olhos alheios.
De repente veio-lhe uma idéia na cabeça, daquelas que criança tem de vez em quando, e resolveu sair por aí divulgando a maluquice:
- Sabe, o que eu sempre quis mesmo foi ser carteiro, sair por aí entregando cartas, pegando ônibus de graça e conhecendo a cidade inteira! Ou talvez um lixeiro, daqueles que só trabalham a noite, enquanto a cidade dorme...
E nessa de tentar descobrir o que queria ser, ele gastou saliva e fôlego para dizer tudo aquilo o que não queria ser. Enfim, ele só sabia que queria alguma coisa....
Voltou para casa cansado, como de costume. No dia seguinte acordou com a sensação de não ter vivido, levantou com a idéia de parar e acabou seguindo em frente, para algum outro lugar. Longe.

sábado, 11 de junho de 2005

Desacontecendo

Juntam-se idéias
pequenos raios de lua

Miram-se espelhos
de almas boas iguais

Assistem-se imagem
nos olhos inquietos de imaginação

Cansam-se conversas
que silenciam e continuam...

Beijam-se longe
cada qual em qual quer

Erguem-se barreiras,
som, estalo, grito

Rompem-se sozinhos
em meio ao sol da meia-noite

Fecham-se portas
que abrem-se para outros

Todos.

Formam-se poças
chuva
lágrima
banho

De tudo restou a foto
água de flores

pétalas inacabadas
frases murchas...

Do resto restou o corpo
suas mãos em muitas mãos

minhas mãos nas suas.

"Vi quando começou e me tomou. E vi quando foi se desvanecendo e terminou." - Clarice Lispector

Dizem que exagero E eu aqui, nego: Sinto muito. Quando gosto, expando Quando desgosto, debando Dizem que não falo eu,...