Toc-toc-toc, no meio do meu quase. Fiz que fui, mas não cheguei. Ou. Ali, de repente, parei fundo no chão e percebi que não chegar era mais fácil do que chegar. Nem fiz trim-trim quando descobri. Fiquei, apenas, observando o passar do tempo. Pensei no ar entrando na boca e engoli, para guardar um pouquinho lá dentro. Nem não fiz nada, só existi, muda, o ar entrando e saindo. Era a sensação do tempo passando dentro de mim que me fazia - num plim-plim-plim de minuto - começar a ir, de novo, sempre, em direção à. No meio do meu quase lá, inevitável como o ar soprando na gente, trim-trim distraindo o fim, nunca que eu chegava.
Então, num dia de partida como qualquer outro, um fiozinho tênue desses de marionete me puxou para trás, como se tentasse me avisar pela força do ar, do tempo, do sopro dentro da gente, se hoje mesmo você chega, e acaba, sem meio quase lá, por inteiro, o que é que vai fazer amanhã?
Parei fundo no chão, entendendo que chegar não era consequência óbvia de partir, e, por isso, talvez fosse desnecessário. Puxei um trago de ar e, devagar, fui soltando.