terça-feira, 23 de novembro de 2010

naqueles tempos, hoje

peguei aquele cantinho escondido atrás da quadra e rememorei o dia em que eu chorei chorei chorei e você não disse nada. rememorei também momentos ao sol, o chão amarelo, o riso encondido, o riso solto. o medo de ser chamado para responder pergunta difícil no dia da apresentação final. as gravações cheias de graça e o esforço pra fazer bonito. os olhares. o bocejo inevitável às 7 da manhã. rememorei a sensação que eu tinha quando te via pegando material no terceiro armário de lá pra cá.
rememorei com olhos embaçados, sem saber mais se foi no cantinho mesmo, se foi choro choro choro ou só choro, se o riso era escondido ou não, se a pergunta era mesmo difícil, se o armário era o terceiro de lá pra cá. quis lembrar como é que eu escrevia, naqueles tempos. me vi fora de mim há 6 anos atrás, refletida em 120 outros, iguais. rememorei quem eu era, fora de mim e dentro de mim. me vi outra, sendo a mesma. e não foi saudade o que eu senti, foi alívio - e um pouco de sono.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Avesso

Do não, não, fez-se o sim.
Do sim, hum, sim, fez-se o somos.
Do somos, sim, hum, somos, fez-se o vamos.

Então se vamos, somos. Sim?
Não, não.

sábado, 6 de novembro de 2010

[di]vagando na madrugada

frio calor frio calor. coça coça, frita. água, xixi. coça. ônibus carro rua funk. carro com funk. sono sem sono sono. ele também não consegue. água, xixi. frita frita. amanhã, hoje, ontem, amanhã. amanhã e depois. coça. será que é minha culpa? culpa pai conversa culpa será? amanhã escola ontem eu era aluna amanhã volto e não sou. observo. eu era? eu fui. o que sou? fome. sono sono sem sono. ele dorme, eu olho. calor calor, coça coça. relatório amanhã texto ah, ler, aula resumo louca educação ler relatório. namorar agora não amanhã depois ou não também pra que serve será mesmo? não quem sabe amor existe? educação 11 horas professora relatório observo aluna amanhã escola. tempo sem tempo ter tempo. alucina no tempo. pensar. não pensar. dormir. frita frita. não pensar. sono água xixi. fome, despertador.
Cara batendo sol minha na. Minha cara batendo no solo. Acordei hoje, e já era amanhã.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sou o avesso do que me quiseram: tomo banho de chuva pra curar resfriado, perco a hora pra continuar vivo, não te escuto pra tentar te entender. Nos intervalos, converso comigo; e silencio.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

5 linhas

Quando nasci, senti tua falta.
Sem te conhecer, mas sabendo-te meu, esperei.
Aos 31 anos e 4 meses te conheci. Desesperei.
Meu nome é Maria José, sempre que penso em você, me lembro de mim.
Qual é o teu nome?

domingo, 29 de agosto de 2010

Norma

A, ante, perante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com. Como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto. Abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de. Pelo, pela, ao, aonde. Do, dos, da, das, dum, duns, duma, dumas. No, nos, na, nas, num, numa, nuns, numas. Bem, mal, melhor, pior, assim, aliás, depressa, devagar, como, sobremodo, sobretudo, sobremaneira. Não, nem, nunca, jamais. Muito, pouco, mais, menos, demasiado, quanto, quão, tanto, tão, assaz, tudo, todo, bastante, quase, nada. Eu, tu, ele, nós, vós, eles. Eu, você e todos nós.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Se eu pé no ar,
você pé no chão.
Qual é a chance de você cair,
e eu não?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Destino

Não acredito em horóscopo, fadas, duendes, fantasmas, espíritos, cartomantes, tarô, búzios, mágica, bruxas. Não acredito em Deus. Mas, contradizendo tudo isso, por vezes tenho um pensamento sobre o meu começo que muito me agrada, e até mesmo me fortalece:

Quando nasci soprei, pouco e devagar. Fui me impondo à vida com tal determinação que aqui estou. Não era pra ser, e foi. Então penso que era pra ser sim, que eu, menor do que o menor bebê que existe, tinha no meu pequeno corpo insuficiente um bocado de vida escondida, que pulsava louca para viver de corpo inteiro. Eu insisti na vida, e ela nasceu dentro de mim.

Não acredito em destino, mas que ele existe, existe.

domingo, 9 de maio de 2010

Vivi

Primeiro, andando de um lado para o outro do quarto, ela começava a contar a história, sempre a mesma, e era sempre como se fosse a primeira vez. Contava com uma voz calma e cuidadosa, escolhendo bem cada palavra, detalhando cada cena da forma mais minuciosa já vista. As descrições eram saborosas: a casa tinha paredes de chocolate, telhado de suspiro, as cadeiras eram comestíveis, a mesa era feita de biscoito e as crianças que ali entravam não conseguiam se conter com tantas tentações.

Depois, vendo as duas netas já no embalo do sono, acabava por deitar-se também, mas continuava contando, detalhadamente, até que o sono se impunha sobre ela. O final da história, então, ficava pro dia seguinte.

Não é de se estranhar que todos gostassem dela. Quando ria, fechava os olhos e balançava um pouquinho os ombros de um jeito tão gostoso de ver que quem estivesse perto acabava por rir também. Guardava balas de chocolate num armário e dava aos netos naqueles momentos em que eles costumavam pensar que os adultos eram uns chatos, que gostavam de verduras e não deixavam ninguém comer doces antes do almoço. Ela deixava. Mas também oferecia laranjas, que comia com muito gosto mais de uma vez ao dia.

Prestava muita atenção no que cada um gostava de comer, e preparava comidas especiais quando recebia visitas. Cozinhava maravilhosamente. Tinha alguns cadernos de receitas escritos por ela mesma, os quais são dignos de publicação pelos comentários que ela acrescentava às receitas: "mexa bem, até encher o saco".

Tinha um senso de humor único. Falava bobagens e em seguida ria sozinha. Sempre perdia os óculos. Sempre os achava. Desenhava rostos femininos e flores sem nunca se cansar. Inventava apelidos tirados de personagens de filmes antigos. Gostava dos cabelos das netas.

- Ah, quanto cabelo! Que brilho! Veja só o meu, tão fininho, tenho que fazer permanente para ficar mais cheinho... - e então fazia tranças nos cabelos das netas, e continuava elogiando.

No Natal, seu filho a tirava para dançar Frank Sinatra e era uma alegria.

- Que sorte a minha, dançar com um homem tão bonito! - dizia ela. Depois, saia cantarolando pela casa a melodia, e a casa inteira dançava também.

Tinha um cheiro gostoso de vó. Era gordinha, assim como uma vó deve ser, pra gente poder deitar no colo dela, fingir que é travesseiro e escutar uma história boa.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Sobre o amor (II)

- Ah, sim, nós temos um futuro tão lindo pela frente!
Ele balançava a cabeça concordando; virava o olho pra cima discordando. Dizia na medida certa aquela única palavra necessária "sim", e ela achava tudo lindo. Depois ele ia embora rindo doce, fingia amor no olhar, mas andava rápido e sem olhar pra trás.
- Ah, como eu te amo...eu te amo!
Ele dizia com convição o esperado "eu também", mas repetia a frase de forma enfadonha três vezes seguidas "eu também, eu também, eu também...", o que ela achava enfático e lindo. Depois encenava um beijo demorado e firme e representava bem o seu papel de macho entusiasmado. Mas em seguida virava de lado e dormia rápido pra esquecer, e sonhava que sonhava com ela, e acordava com ela e sonhava acordado com outra, com ela ao lado.
- Nós vamos casar um dia, não é amor? E ter filhos, e um cachorro, e...e..ah, eu te amo tanto!
Ele dizia o esperado como se fosse lei, e disse sim pra tudo como se fosse não, e se casou com ela como se fosse destino, e teve três filhos como se fossem dois, e comprou um cachorro como se fosse um gato, e morreu ao lado dela como se fosse feliz.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

quem cutuca minha ferida sou eu

Hoje, no ponto de ônibus, enquanto eu cutucava com prazer - sim - meu machucado no joelho, um moço achou que era prudente me avisar que cutucar ferida não faz bem pra gente.

- Sou ciclista, vivo me machucando, não faz isso não menina!

Eu achei que não valia a pena discutir. Parei na hora, até ele ir embora e eu começar tudo de novo.
.
.
.
Ora seu moço, o que é que você sabe sobre a minha ferida pra dizer que eu não devo fazê-la sangrar de novo? E se o meu prazer é, justamente, fazer sangrar e sangrar e sangrar, pra sempre, a mesma ferida?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tentativa frustrada de matar um amor

Um dia, ele depositou todo o amor que tinha em uma pessoa - A pessoa. Todas as outras que vieram depois tiveram de se conformar com o vazio que ela deixou, com uma foto despedaçada no canto do quarto e com o brilho eterno de uma mente cheia de lembranças.

(quando um amor demora muito pra passar, é porque ele quer mesmo é ficar)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Aparências

Vinha com uma firmeza de estremecer. Não demonstrava qualquer tremor nas mãos, piscar de olhos, exitação na fala. Tinha essa brilhante maneira de se mostrar próximo sendo distante, e de estar distante mesmo quando próximo. Era paradoxalmente o ser mais primitivo e evoluído que se possa imaginar. Não demonstrava qualquer tipo de sofrimento ou dúvida, nunca. Não deixava e sobretudo não queria que ninguém se sentisse mal por sua causa. Distribuia afeto e carinho para quem merecia tapas. Não falava sobre remorso, inveja ou ciúme. Não deixava comida no prato. Dava abraços demorados que reconfortavam a alma, escrevia liricamente para quem precisasse ouvir, perdoava muito, muitos.
Quando chegava em casa, chorava escondendo o rosto com as mãos, sem coragem de se olhar no espelho e decobrir que era humano, demasiadamente.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

(intertexto)

Quando estou acompanhada vejo a tristeza que acumulei quando estava sozinha.

terça-feira, 12 de maio de 2009

.
.
.

No dia em que te conheci
descobri quem eu sou:

Eu sou você,
mas tudo ao contrário.

.
.
.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O papai às vezes tem uns cúmulos de carência...

- Como assim?

Ontem mesmo ele me disse: ei, filhão, não quer tomar água comigo?

sábado, 10 de novembro de 2007

Já de saída minha estrada entortou...


Não digo que foi doloroso pra mim porque não me lembro, mas deve ter sido a dor mais intensa que já senti, e que já sentiram por mim.
Meu coração já nasceu conturbado. Estava lá, pulsando um pouco menos do que devia, misturando o que não era pra misturar. Era problema sério, desses que mata, disseram os médicos. Aliás, era o mais provável que acontecesse. Operei, sobrevivi, virei bebê gordinho. Cá estou. O problema foi embora pra sempre, dizem.
A cicatriz, no entanto, ficou. Todo dia quando vou tomar banho ela me faz lembrar com alívio que estou viva, sim, tenho um coração que pulsa. Ao mesmo tempo acho curioso pensar que foi só o problema físico se resolver pra que o problema metafísico aparecesse. A cicatriz me deixa a impressão de que eu não tive saída, de algum jeito meu coração nasceu e vai ser sempre conturbado.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Ele gostava de guardar o cheiro dela no bolso, depois de darem as mãos. Ela gostava de guardar o cheiro dele no corpo, depois de cada abraço. Eles não se falavam, mas sabiam da intenção de guardar o cheiro um do outro. Sabiam também que guardar cheiros era só um jeito de disfarçar a vontade de guardar boca, mãos, corpo, guardar tudo um do outro, trocar tudo que podiam entre si. Sabiam que disfarçar só aumentava o desejo, e sabiam que desejo reprimido só aumentava a perfeição da idéia.
A idéia. Parecia destino, mas também parecia impossível. Parecia que se trocassem tudo que podiam entre si nada mais faria sentido, a não ser trocarem tudo aquilo pro resto da vida. Eles não queriam, agora, nada pro resto da vida. Então quando por acaso parecia que as coisas estavam caminhando para a troca, eles recuavam, disfarçavam, fingiam que era amizade aquilo, e continuavam guardando cheiros sem dizer nada, porque nem era preciso.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Sobre o amor (I)

- olha pra mim e diz: não, nós não temos futuro.
Ela olhava, não dizia nada. Depois fugia de mim, fingia ódio no olhar, mas andava meio caindo pra frente, era amor aquilo, queria jorgar-se em meus braços, dava pra ver.
- olha pra mim e diz que não me ama.
Ela não dizia nada, olhava com tristeza e fugia de mim. Mas ela me amava sim, eu sentia pelo jeito de andar, despencando pro lado esquerdo, bem perto de mim.
- criatura, por que não diz uma palavra de amor, nunca?
Ela não dizia, não disse, nunca vai dizer, mas se inclina toda pra traz, quando me vê, como se estivesse fugindo. Eu sei, porém, que no fundo ela está é se declarando ao contrário.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

3 tempos

4 meses de namoro, cinco anos dormindo juntos e um dia no cinema com cheiro d’eu acabei de te conhecer e estou louca para não ver o filme.
...uma chuvinha fina caindo nos olhos.
- você vai vomitar?
...uma chuvinha enorme dentro da gente, às 4 horas na minha casa combinado então?
vontade de tomar chocolate quente denso denso. anota meu telefone caso mude de idéia.
...é tempestade eu acho, começa com um trovão e quando vê invadiu o mundo. mas foi tudo muito certo, tudo muito no seu tempo. sexta feira meus pais vão no cinema.
- eu sei que às vezes não é muito fácil me levar a sério, mas eu te adoro.
- eu também te adoro, cada dia mais...
ça va très bien euh hum uee...se a gente falar francês nasce sol. d’accord...
outro dia ganhei uma rosa, no outro um bilhete e no outro um livro. outro dia dormi com você 4 dias, mas isso já faz cinco anos. eu quero namorar com você. também ganhei isso.
- você sabia que a espuma do mar são os testículos de Urano?
fez só chuva, mas eu gostei. chuvinha nagente o dia todo, kalookawana.
pega a água dessa garrafa aqui e joga tudo naquele carro, vai, é gostoso! alívio. pode me contar tudo, agora. desde merda até mitologia grega. um dia a gente vai até a ilha da avenida paulista e passa o dia todo conversando, sentindo frio. depois a gente toma milkshake de flocos. eu podia passar a vida assim, com você, mas fica longe quando eu for falar no telefone porque eu tenho vergonha...não iria enjoa nunca.
- é que eu te amo.
quando eu era pequena o porteiro perguntava: paulinha, você é bonita ou feia? eu respondia: feia não! e olhava de longe o menininho do outro lado da rua, sobrancelhas franzidas dizendo
- que ridículo! isso é ridículo....ridículo!
depois ele fazia cara de safado e botava a língua de canto na boca, saindo um pouquinhozinho pra fora.
quando eu era pequena, eu queria te conhecer, sempre quis sabia? mas você parava do outro lado da rua e só me mandava um beijinho, que chegou aqui faz pouco tempo, 4 meses cinco anos um dia no cinema. ele estava molhado da chuva, e ainda está.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

texto conjunto: eu e Nícolas. (precisamos fazer um melhor, hein?!)
=p

.
.
.

Perguntou se eram mesmo bananas, porque mais pareciam rolhas. O outro, que até então via apenas bananas e mais bananas, começou também a questionar-se:

- rolhas-por-que-não?

por-que-não-rolhas?

- não-por-que-rolhas!

E saíram para os quais colher coágulos não valia.

Lá, onde não colhiam coágulos porque não valia, decidiram hummmmm...colher coágulos! Por que não valia? Colheram coágulos com rolhas...

...as quais pareciam bananas. Viram-se então envolvidos novamente pelo enigma das banarolhas ou rolhananas. Um que as deglutia, e outro que vedava garrafas. Sem saber, claro, que de fato nada daquilo existisse embaixo d’água.

Um dizia ao outro:

- elas voam, elas voam! São banarolhas aéreas...poxa...

E o outro respondia pro um:

- eu sempre quis voar...

Nada então faziam além de decolar e aterrissar daquelas banarolhas, banais bananas ninando feito ninjas em roliças rolhas redondas feito bananas feito rolhas.

Morreram de escoliose.

.
.
.

domingo, 26 de março de 2006

À



(...) Ela adorava lembrar do que não sabia. Porque isso era inventar. E era tudo o que conseguia fazer. (...)
A menina também inventava o amor. (...)
E a cada dia que vivia, um pedaço do seu coração era arrancado por esse amor sufocante, que não ia embora. E quando ia, não importava mais, porque já tinha arrancado um pedaço. Sem volta. E sempre havia outro amor vindo pra lhe tirar um pouco mais do coração. A menina deixava em cada amor um pouco de si mesma. Vai ver que é por isso que não se conhecia. Ela era fragmentos espalhados. (...)

segunda-feira, 6 de março de 2006

beijo na careca

Outro dia passei na esquina da sua casa, naquela ladeira. Pensei então em interfonar e dizer que estava ali embaixo, sozinha. Mas talvez seus pais atendessem, ou talvez fosse muita cara de pau, desisti. Achei que era melhor ligar antes Oi, lembra de mim ainda? É que estou na esquina da sua casa, pensei que.... Mas achei que você podia não se lembrar de mim, desisti. Fiquei ali na esquina então, tentando te espionar pela janela. Pensei que você pudesse dali a pouco colocar a cabeça para fora, e talvez me visse que nem barata tonta andando de um lado pro outro da calçada Nossa! Fazendo o que por aqui? Sobe, estou sozinho... Mas achei que não estaria sozinho, e só de pensar em imaginar tal situação, desisti. Sentei na sarjeta, olhando pro tal prédio. Pensei em deixar um bilhete, mas seria romântico demais; depois pensei em esquecer alguma coisa por ali só pra você se lembrar de mim, mas você não notaria. Pensei de repente em ir embora, mas você já estava impregnado na mente e não tinha jeito, desisti. Resolvi ser normal e perguntar ao porteiro se você estava em casa, e ele me disse sorrindo torto pelo canto da boca:

- ixi moça, já faz 2 meses que ele se mudou!

Então meus olhos quiseram beijar a careca daquele porteiro, mas apenas sorri de volta, cheia de gratidão. Fechei o portão e desci a ladeira saltitando, porque não te conhecer é bem mais fácil do que sentir a sua falta.

Dizem que exagero E eu aqui, nego: Sinto muito. Quando gosto, expando Quando desgosto, debando Dizem que não falo eu,...